sexta-feira, 19 de junho de 2009

ENTREVISTA AO mangualde.net


Dr. Castro de Oliveira
Candidato pelo CDS à Presidência da CMM

As condições climatéricas não eram as mais favoráveis, mas a hora já estava marcada para o Mangualde.Net dar a conhecer um pouco mais à população mangualdense o Dr. Castro de Oliveira, candidato pelo CDS à Presidência do Município de Mangualde.

Apesar de o sol espreitar timidamente por entre as nuvens e da brisa fresca que se fazia sentir naquele banco de jardim, em pleno coração da cidade, o candidato revelou-nos alguns aspectos que marcaram a sua vida, os traços que julga serem mais determinantes na caracterização da sua personalidade, onde se abordaram também assuntos ligados ao Município, que certamente serão do interesse de todos os seus residentes e visitantes.

No final desta conversa, ao agradecimento desta oportunidade juntou-se o pedido de transmitirmos a mensagem do entrevistado de uma forma transparente, visto ser fruto dos seus sentimentos sinceros por este concelho. Assim prometemos fazê-lo e é desta forma que a partilhamos com todos os cibernautas.

Nome Completo
António Albuquerque e Castro de Oliveira

Data de Nascimento
22 de Julho de 1949

Família
Sou casado (a minha mulher é Professora de História, desde há já longos anos, na Escola Secundária Felismina Alcântara) e tenho dois filhos: o Nuno, Licenciado em Gestão de Marketing e a Inês, que está a terminar a sua Licenciatura em Direito

Habilitações Literárias
Licenciado em Matemática pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra
Profissão Actualmente, encontro-me aposentado, da minha condição de Inspector Superior Principal da Inspecção-Geral da Educação

Livro Favorito
Muitos… Gosto de livros que abordem questões de análise política e social. Acabei há pouco de ler um livro muito interessante, da autoria de Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia 2008, com o título “ O Regresso da Economia da Depressão e a Crise Actual”, editado pela Presença, um livro cuja leitura me permito recomendar e que inclui reflexões sobre a crise actual ao mesmo tempo que salienta o paralelo que é possível traçar entre ela e os acontecimentos que estiveram na origem da Grande Depressão, que, como bem sabemos, teve início em 1929 e persistiu ao longo da década de 1930, terminando com a Segunda Guerra Mundial.

Cantor, Banda ou música favorita
Gosto de Fado, em particular de fado de Coimbra, que até já cantei… Importará, aliás, referir que fui 1º Tenor do Orfeon Académico de Coimbra, na altura considerado, senão o melhor, pelo menos um dos melhores grupos corais universitários do Mundo… Gosto também de música moderna. Sou daqueles que quando vai às festas alinha em grande em tudo o que é “rock da pesada”,… gosto de participar nessas questões com a juventude. Como referência, apenas a de que o último disco que comprei, há poucos dias, foi o “Amália Hoje”, numa excelente interpretação de Sónia Tavares.

Filme favorito
Não sou muito de ir ao cinema mas sou adepto das séries do AXN, sendo raro o dia em que me deite sem que antes veja um qualquer filme.

Hobbie
Gosto de caminhar, … não sou um desportista, isto se bem que acompanhe o desporto, em especial pela actividade desportiva do meu filho que pratica squash… Gosto também de um bom jogo de futebol mas sentado no sofá … e ajudo os amigos no que posso, hoje que tenho uma vida mais livre
Local / Viagem de Sonho
Gostava de conhecer bem a Europa em especial França e Itália e gostava de regressar, agora com a família, à República Checa.

Clube
Sporting Clube de Portugal, club de que sempre fui adepto, ainda que não me considere um “doente”

Infância
Quais as recordações mais marcantes da sua infância?

Dr. Castro Oliveira - Tive uma infância normal, feliz, a crescer com os outros miúdos da minha idade e da minha convivência… que ainda hoje são meus amigos. Não quer dizer que nos encontremos todos os dias mas nasci e cresci em Mangualde, foi aqui que me fiz homem e é aqui que permaneço com uma ligeira passagem profissional por Coimbra, quando fiz o meu estágio de professor de matemática. De resto Mangualde é a minha terra Lembro-me perfeitamente de quando era miúdo… de correr, de saltar, de andar com o arco, de jogar ao pião e felizmente ainda há muitos amigos desse tempo com quem de vez em quando me encontro.

Que diferenças encontra entre a sua geração e os jovens da actualidade?
C.O. - Algumas. As coisas vão mudando, hoje não se procura o mesmo tipo de brincadeiras, se bem que no fundo sempre se fizeram asneiras como hoje se fazem. Talvez fossemos mais solidários, … também havia menos perigos, menos problemas. Hoje põe-se a questão dos miúdos andarem por aí e os pais terem receio de para onde vão.

Onde passou o 25 de Abril de 1974? O que se recorda desse acontecimento? Estava consciente do que se estava a passar na realidade?
C.O. - Estava em Mangualde. Havia algumas movimentações, pressentia-se que alguma coisa ia
mudar. Estava perfeitamente consciente até porque eu tinha vivido a crise académica de Coimbra de 1969 e era mais que previsível que isso acontecesse,… pressentiam-se conflitos e era visível alguma hesitação de quem dirigia o país, tinham-se verificado algumas manifestações militares uns meses antes, portanto para mim não foi nada de especial, de que não estivesse à espera. Acompanhei expectante procurando ver o que iríamos ter, se só liberdade, se muita confusão e infelizmente durante muito tempo tivemos muita confusão. Hoje fala-se do 25 de Abril e eu acho bem que se fale dos aspectos positivos, mas também não devemos descurar os aspectos negativos, que foram muitos. Eu vivi intensamente toda a confusão reinante do pós 25 de Abril de que ainda hoje temos algumas sequelas.

Juventude
Como todos os jovens, certamente que na sua juventude cometeu algumas “loucuras”! Existe algum desses momentos que recorde com mais emoção / com especial interesse?
C.O. - Nunca fui muito de grandes loucuras. O meu pai trabalhava no comércio, a minha mãe sempre esteve em casa e a educação que recebi pautou-se por regras, dando-me valores e formas de estar na vida que ainda hoje mantenho e das quais me orgulho. Não quer dizer que não tenha feito as minhas asneiras, lembro-me por exemplo de uma situação passada neste jardim onde eu e uns colegas do colégio cometemos alguns exageros. Em Coimbra também cometi alguns exageros, do género de deitar tarde, de vez em quando beber uns copos, …, mas nada de que me envergonhe.

Se fosse um adolescente / jovem na actualidade, o que faria que no seu tempo não era possível fazer?
C.O. - Há muitas coisas que os jovens de hoje têm oportunidade de fazer. Hoje há avanços técnicos e tecnológicos que no meu tempo não existiam e há de facto possibilidades que eu nunca tive e algumas delas até as proporciono aos meus filhos. Agora o que é que eu faria? Provavelmente acompanharia os tempos e faria exactamente como eles fazem ….

Percurso Profissional
Com que idade e em que profissão começou a trabalhar?
C.O. - Comecei a trabalhar como professor aos 22 anos, ainda sem habilitação, que concluí depois. Licenciei-me em Matemática sendo que comecei a dar aulas em 1972, na antiga Secção de Mangualde da Escola Industrial e Comercial de Viseu, a funcionar então no Bairro das Colónias.

Que profissões exerceu até à actualidade?
C.O. - Comecei como professor como já referi, na Escola onde mais tarde fui também, durante vários anos, Presidente do Conselho Directivo. De 86 a 88 fui Docente Orientador no Politécnico de Viseu, onde acompanhava a formação de professores, . Em 88 fui para a Inspecção Geral da Educação onde cheguei ao topo da carreira Inspectiva como Inspector Superior Principal Foi aí que fiz parte significativa da minha vida profissional , que se estendeu até meados de 2006, altura em que me aposentei, ainda que pelo meio tenha permanecido 8 anos na Câmara Municipal de Mangualde como Vice-Presidente.

Há alguma profissão que admire ou que gostasse de exercer?
C.O. - Eu sempre gostei do que fiz… mas a verdade é que gosto muito do Direito. A primeira vez que me candidatei à Câmara, nos anos 80, cheguei a pensar em fazer um curso de Direito, sendo que a lei permitia que um Licenciado pudesse matricular-se noutro curso superior. Tratei de tudo, mas depois veio a política e lá se foi o Curso… Na minha vida Inspectiva aproximei-me muito de algumas questões jurídicas e sinto-me com preparação nalguns domínios … sempre gostei e sempre pratiquei na dimensão em que pude ganhar competências, nomeadamente na Inspecção.

Personalidade
Quais considera serem os traços mais marcantes do seu carácter?
C.O. - Sou firme, mas gosto de incorporar as razões dos outros … claro que tenho que as perceber e têm que bem mas explicar, mas sou capaz de as incorporar. Sou tolerante, há pessoas que até acham que se calhar o sou demais porque faço esse grande exercício de estar disponível para entender os outros, mesmo quando isso é difícil. Sou trabalhador, sou metódico, organizado, sei o que quero, percebo o mundo e as coisas, as suas transformações, tenho olhos abertos para a vida, entendo-a e vivo-a intensamente.

Existe alguma figura ligada à política Nacional ou Internacional que admire pelo seu trabalho como dirigente?
C.O. - Por exemplo as figuras de Churchill e de Konrad Adenauer, falando de personalidades internacionais que são referências. No nosso país não encontro essas grandes referências, mas apontaria o Professor Adriano Moreira … acho que é uma pessoa com um espírito metódico, uma perspicácia irrefutável … é uma pessoa que admiro muito pela sua capacidade argumentativa e pela sua enorme inteligência e sagacidade.

Quer tecer-nos algumas considerações acerca do estado da economia mundial? Na sua opinião a que se deve a crise que estamos a atravessar actualmente?
C.O. - Eu sou bastante crítico relativamente a isso. Acho que nos foi impingido, a todos nós, que a
globalização era um fenómeno irreversível. Apareceram as teorias neo-liberais assentes nessa lógica que nos dão isto como um pré-determinismo … no entanto, julgo que sem sermos exagerados temos que ter cuidado com esta globalização porque estas coisas podem ser aceitáveis num mundo em que as regras são próximas, mas não em mundos tão distintos, em que as condições de mercado, de trabalho, … são de tal forma diversas, que fazem com que a concorrência não seja uma concorrência aceitável e leal. Nós não nos podemos comparar, no nosso estilo de vida, nas nossas ambições, naquilo que é a nossa vida e naquilo que exigimos para ela, com sociedades onde as pessoas vivem à troca de uma malga de arroz. Eu vejo com muita preocupação esta ideia que nos tentam passar da inevitabilidade da mundialização/da globalização. Podemos também pensar a um nível mais restrito, a nível europeu, porque foram-nos metendo na cabeça que éramos europeus de corpo inteiro, com a livre circulação das pessoas e dos bens que depois afinal não se verifica. Se calhar passou-nos pela cabeça que iríamos ter condições de vida idênticas às da generalidade dos europeus e de facto não temos e eu diria que estamos cada vez mais longe disso, pelo menos daqueles que têm condições de vida excepcionais e que até passam pela crise, naturalmente, com algumas limitações ao que eram os seus padrões, mas sem estarem em situação tão complexa e tão difícil quanto é a nossa.

A nível pessoal, quando se depara com algum problema na sua vida, prefere reflectir sobre ele e resolvê-lo sozinho ou acha que a opinião dos outros é importante para si no que respeita a tomar decisões?
C.O. - Eu gosto sempre de reflectir antes de decidir e sou muito adepto de ouvir opiniões de outras pessoas. Gosto de ouvi-las com espírito de abertura e de incorporá-las quando entendo que têm razão, porque há sempre perspectivas diferentes, outras lógicas, outros argumentos que podem levar a que depois de tudo sopesado, a decisão não seja exactamente aquela que à partida
perspectivara, mas outra eventualmente próxima.

Avaliando a política no nosso país, onde sente que existem mais lacunas?
C.O. - Acho que nós vivemos uma enorme crise de valores. A acção deste governo dita musculada, dita de muita segurança, de muita afirmação, de quem sabe o que quer e para onde vai, a verdade é que é enformada por muita teimosia e alguma estupidez. Direi que se derreteram esquemas que eventualmente se quereriam reformados. Posso falar na educação em que tem sido seguida uma política do meu ponto de vista desastrada e desastrosa, da saúde que é outro campo que apesar dos recuos do governo, que depois da guerra que tinha com os professores se encolheu um pouco nesse percurso que também tinha traçado com os profissionais da saúde, mas para lá disso há outro sector que me preocupa imenso que é o sector da justiça. Sem justiça não há Estado de Direito e nós não podemos viver numa sociedade em que uma pequena questão se desenvolve ao longo de 7 ou 8 anos sem sabermos como vai terminar e que provavelmente vai terminar arquivada e nós temos, infelizmente, vários exemplos que toda a gente conhece e que andam por aí nos Tribunais, onde os poderosos têm todos os meios e o cidadão comum vê os seus direitos de alguma forma limitados pelo poderio económico que permite a uns quantos esgotar ao longo de anos as suas defesa e quase sempre concluir pela absolvição, quando não por chorudo pedido de indemnização… .

Quais são os valores que mais preza?
C.O. - A solidariedade. Preocupo-me muito com a necessidade de sermos solidários e cada vez mais sinto que as pessoas pensam menos nisso. Sendo eu um homem de Direita, por vezes em discussões com os meus amigos até há quem me acuse de ser claramente de esquerda. Eu diria que não. Tenho, isso sim, valores firmes que me aproximarão do modelo dito de direita mas não renego as enormes preocupações sociais que também tenho e que não são incompatíveis com a minha postura política. Prezo também a liberdade de todos e não só a de alguns … a verdade, a linearidade e a transparência são valores dos quais não abdico e acho que todos devíamos persegui-los e exigi-los … e note-se que sou uma pessoa muito exigente.

O que mais gosta de fazer quando tem tempo livre?
C.O. - Até pode parecer que tenho muito mas a verdade é que que tenho pouco tempo livre porque faço tanta coisa, para mim e para os outros, com total abertura e disponibilidade… Ao fim de jantar vou normalmente até ao café(quando está bom tempo, também gosto de um final de tarde com um fininho e uma troca despretensiosa de impressões…) onde converso com os amigos, e discutimos assuntos que marcam a nossa vida diária. Também gosto de fazer a minha praia anual, gosto de ler diariamente, um jornal ou uma revista, gosto de estar atento à Internet, gosto de escrever, … (não quer dizer que me esteja a preparar para publicar seja o que for, mas não está excluída a possibilidade de vir a publicar as crónicas que escrevi ao longo de vários anos no Jornal Renascimento, do qual fui director).

Pratica ou já praticou algum desporto?
C.O. - Quando era novo gostava de participar naquelas actividades esporádicas, jogos entre
professores e alunos, mas de resto nunca fui um atleta. Desde há 5 anos a esta parte gosto de fazer a minha peregrinação a Fátima com um grupo de amigos,… acho que é muito bom para o físico e para a mente e enquanto Deus nos der vida e saúde admitimos continuar a fazê-lo.

Vida activa na Política
Quando e em que circunstâncias se começou a envolver na política?
C.O. - Acho que comecei a ser político em Coimbra onde vivi a Crise Académica de Coimbra muito sensível àquilo que me pareciam ser as manipulações e exageros de alguns.
Mais tarde, a seguir ao 25 de Abril, quando se começaram a organizar os partidos políticos, acabei por me situar bem perto do CDS do qual sou militante, se bem que um militante muito crítico e com muita autonomia, que prezo e pratico.

O que mais o fascina na actividade Política?
C.O. - A possibilidade de servir os outros e de executar coisas que servem os outros, … isso é absolutamente determinante. Não tenho nenhum tipo de interesse pessoal, mas acho que sou capaz de fazer mais e melhor do que aquilo que se tem feito.

O que o leva a candidatar-se à Presidência do Município de Mangualde?
C.O. - Eu gostava, antes de mais nada, de dizer que sou amigo tanto do Dr. Soares Marques como do Dr. João Azevedo, mas tenho que dizer a verdade, e a verdade é que acho que tenho mais preparação do que qualquer um deles para ser Presidente da Câmara. Tenho preparação técnica, tenho conhecimento das questões, da legislação, da organização, porque trabalhei muito na minha vida em organização e os 8 anos em que estive na Câmara também me permitiram uma aproximação a realidades importantes que vivi com muito trabalho e dedicação. Acho por isso que tenho mais condições do que qualquer um deles (eles que me perdoem, mas a verdade é mesmo esta…) para governar este concelho, e eu diria governar este concelho com eles, porque não excluo de forma nenhuma a utilidade de cada um deles na Câmara, cada um com as suas características e competências. Mas eu acho que poderia/deveria estar à frente de uma equipa com condições para servir Mangualde, condições que eles não têm ou dificilmente terão.

Caso seja eleito, quais são as suas prioridades?
C.O. - A grande prioridade é darmos vida a esta nossa terra, é fazermos as pazes connosco mesmos porque nós em Mangualde vivemos numa sociedade extremamente dividida, com choques desnecessários, com muito antagonismo, com muito radicalismo, e isso é cultivado nomeadamente no relacionamento entre o PSD e o PS. Antes de mais nada temos de ser capazes de aceitar trabalhar juntos para ver se conseguimos redinamizar a nossa sociedade marcada por problemas sociais e económicos a que não é alheio o encerramento de algumas unidades industriais e acho que a Câmara deve servir de pivot na aproximação das pessoas, no diálogo social.

Tendo noção de que não será fácil gerir um Município, quais são os seus maiores receios se ganhar estas eleições?
C.O. - Não tenho medo porque sei do que sou capaz. Outro grande desafio é sermos capazes de estabilizar a vida da Câmara, a vida interna e as inter-relações dentro do Município, porque nota-se nas pessoas que trabalham para a Câmara algum mal-estar, muita desconfiança e é necessário reconquistarmos essa confiança.
É preciso também resolver o problema do ordenamento do território… em Mangualde temos problemas super complexos com bairros a ocuparem uma enorme mancha e onde a vida se resume a sair de casa de manhã e a entrar à noite, normalmente de automóvel, com custos enormes de infra-estruturas que com o tempo necessitam de intervenção para as corrigir, adaptando-as a novas exigências e a novas necessidades.
Há também a questão do tecido económico que exige uma intervenção junto do poder central e já que somos europeus é preciso abrir os olhos um pouco à Europa e ver em que medida podemos aproveitar alguma coisa com isso. Outro dos grandes problemas nestes últimos tempos tem sido a falta de segurança e o aumento de criminalidade que se têm verificado cada vez mais na cidade e a que urge pôr cobro.

Na sua opinião, que soluções deveriam ser tomadas no sentido de minimizar esta situação?
C.O. - Esse é um problema nacional mas penso que Mangualde não esgotou a capacidade de intervenção junto do poder central no sentido de que tenhamos efectivo policiamento de proximidade. Hoje a GNR está à saída da cidade, já ouvi falar na possibilidade de vir a colocá-la no antigo Quartel dos Bombeiros no centro da cidade, o que seria uma solução, mas falta gente na rua. Sem segurança não há liberdade e a Câmara tem que ser capaz de exigir ao poder central e se for caso disso tem que pensar em ter meios próprios. Hoje há Policias Municipais, há esquemas de vídeo vigilância e não me repugna nada se tivermos de avançar para aí … mas o ideal seria termos um policiamento capaz e isso estar articulado com a justiça para que aqueles que sejam apanhados a infringir a lei sejam efectivamente castigados.

O que pensa acerca do futuro de Mangualde? Que soluções globais propõe para o desenvolvimento da cidade?
C.O. - Temos que acreditar que o nosso crescimento vai ter que se fazer numa articulação entre as várias dimensões. Temos que proteger a agricultura que ainda existe, uma agricultura mais industrializada, permanente, mais profissional. Apesar de hoje o paradigma começar a ser o dos serviços, só há serviços se houver alguém que necessite deles, o que significa que temos que ser capazes de manter um tecido industrial capaz e isso trará a par o comércio. Hoje as pessoas fazem compras em Viseu, em Coimbra, mas julgo que devemos ter o nosso comércio activo e, embora percebendo o papel de algumas médias/grandes superfícies, julgo que devemos ser capazes de congregar o espírito dos comerciantes locais para que não desapareçam, porque isso descaracteriza totalmente a cidade e o concelho.

O que acha que é possível fazer para tornar o concelho de Mangualde mais atractivo quer para a população residente, quer para os visitantes?
C.O. - Acho que nós temos feito algum percurso visando promover Mangualde, não sei se bem se
mal conseguido. É preciso de facto promover o concelho, fazer com que as pessoas aqui venham e se sintam cá bem, que tenham alguma coisa para fazer, que encontrem produtos que lhes interessem, que os motivem e que os levem a regressar. Temos que ter serviços bons, um hotel que sirva bem, com pessoal competente, … temos que ter actividade cultural e nós temos aqui cultura dinamizada por uns tantos grupos, os nossos ranchos, as nossas bandas, associações culturais…
Devemos manter e patrocinar os produtos que nos distinguem como os pastéis do Patronato, as morcelas e todos os enchidos, … fazer alguns circuitos programados e guiados que permitam às pessoas conhecer o concelho…

Tendo em conta a elevada taxa de emigração no nosso concelho, ou referindo a situação de jovens que vão estudar para fora e acabam por ficar por lá, que incentivos deveriam ser dados para que estas pessoas regressassem e sentissem gosto em fazer investimentos em novas estruturas empresariais em Mangualde?
C.O. - De facto houve uma enorme corrente de emigração ao longo dos anos mas eu não tenho tanta certeza quanto a essas pessoas voltarem, porque a maioria dos nossos emigrantes, até pela sua cultura, acabaram por se integrar bastante bem nas comunidades para onde emigraram.
Portanto, acho que estar a pensar no regresso dos emigrantes para desenvolver actividade económica, não sei se vai ser esse o caminho… mas devemos, isso sim, criar condições para que eles venham e se sintam cá bem e não fiquem lá, porque em muitos casos os filhos e os netos já lá nasceram e era importante trazer até nós essa gente nova. Mas há que fazer aproximações à comunidade mangualdense emigrante… já houve algumas tentativas nesse sentido mas o que foi feito terá sido pouco.

Acha que os resultados das Europeias poderão servir como indicador/influência para o resultado das eleições legislativas e autárquicas?
C.O. - Não servem como indicador mas levarão as pessoas a pensar. Isto diz às pessoas que quando se quer as coisas mudam, mas concluir daqui que o PSD vai ganhar as legislativas ou as autárquicas é um erro, primeiro porque votou muito pouca gente, em segundo lugar está por conhecer a condição sociológica daqueles que votaram e dos que não votaram e quais as suas perspectivas mais gerais e locais e portanto acho que há muito trabalho a fazer …
É evidente que o facto das legislativas e das autárquicas irem ter lugar muito próximas uma da outra poderá trazer alguma influência, mas também está visto que as pessoas sabem escolher e sabem votar num partido para um fim e noutro partido para outro.
Eu meto-me nesta corrida com meios humanos e materiais claramente diminutos relativamente ao potencial já visível do Partido Socialista, o que também é previsível que o PSD venha a fazer, e irei fazer uma campanha assente na força da palavra, mais nada. Se as pessoas confiarem em mim e no meu projecto, que votem em mim, se não confiarem bem na mesma … espero continuar a servir Mangualde e os mangualdenses na dimensão que me quiserem conferir com toda a disponibilidade e enquanto Deus me der vida e saúde, já que é exactamente aqui que me sinto útil.

A TERMINAR:
Dr. Castro - Esta foi uma oportunidade de dizer umas quantas coisas e por isso agradeço a possibilidade que me deram. Espero que levem junto dos mangualdenses esta mensagem feita completamente aqui a frio, em que não estava a contar com algumas das questões que me foram colocadas, não fazia ideia nenhuma dos assuntos que íamos abordar, … de qualquer maneira tudo o que disse é aquilo que sinto, com verdade, com transparência e espero que transmitam essa imagem a todos os mangualdenses, sem excepção e que da parte destes haja abertura para entender a força dos meus argumentos e para, na hora da verdade, serem capazes de ultrapassar as fidelidades partidárias e optar por quem tem, de facto, melhores condições para gerir o Concelho, durante os próximos quatro anos.